terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Blog com nome e visual novos


Olá pessoas, como vocês notam, nosso blog sofreu várias mudanças, inclusive no próprio nome que agora passa a se chamar "Contemporarte". 

CONTEMPORARTE remete a contemporâneo, tempo, memória, arte e, implicitamente, arquitetura. Com-tempo-arte, ou ainda “arte com tempo”. A ideia desse nome está centrada na afirmação de que o tempo vivenciado é forte indutor de inspiração nas artes e, consequentemente, na arquitetura. A palavra “contemporâneo”, comumente confundida como “atualidade” é, na verdade, um indicativo de tempo. Fatos e ações contemporâneos são verificados por determinação do tempo e espaço histórico em que ocorrem. Sendo assim, o que pode ser mais contemporâneo do que a arquitetura?
            “Arquitetura deve falar de seu tempo e lugar, porém anseia por atemporalidade”. (Frank Gehry)
Além do novo visual, utilizaremos mais o blog, fazendo postagens além das acadêmicas. A intenção é dar continuidade e falar um pouco de arquitetura e tudo que a cerca. Espero que vocês gostem, até mais.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Avaliação THAU - Recapitulação de textos trabalhados

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A arquitetura, assim como o espaço de modo geral, não devem ser vistos de maneira concreta e física, pois vão além disso, sendo capazes de provocar sensações e aguçar a imaginação de cada observador. O sentido da visão tem um papel importante na compreensão de um determinado ambiente, pois nos fornece uma percepção imediata do espaço, mas isso agregado aos sentidos do tato, do olfato, do paladar e da audição, nos permite interpretar determinados lugares de uma maneira diferente, estabelecendo outros tipos de relações com o meio, fazendo com que a vivência seja totalmente influenciada pelas sensações ocasionadas e até pela imaginação. Todas essas relações da apreensão do espaço a partir de outros sentidos, que não apenas a visão, podem ser resumidos na frase de Paul Válery, que diz:

"O ser humano vive e move-se naquilo que vê, mas vê apenas aquilo que pensa."

No texto "O Espaço em Cinco Sentidos", de Alburquerque Júnior, é citado um personagem criado por Ítalo Calvino, Marcovaldo, que tem uma visão diferente do espaço. Ele não o vê como um elemento de localização onde se inicia uma narrativa histórica, que é como os historiadores o viam, Marcovaldo ficava atento a detalhes insólitos, às lembranças e sensações que aquele cenário pós-guerra proporcionava. A história do personagem nos faz, então, enxergar que o espaço não se separa em suas dimensões políticas e culturais, imaginárias e simbólicas, nem naturais, econômicas ou sensíveis. Como diz no texto:



"Um espaço é um reticulado de ações, de deslocamentos, de trajetórias, é uma rede de relações de toda ordem, é uma trama de sentidos, é a projeção de imagens, sonhos, desejos, projetos e utopias. Um espaço é feito de natureza, de sociedade e de discursos. Cada conto sobre Marcovaldo articula estas dimensões inseparáveis na constituição das espacialidades."

Dessa forma, notamos o quanto a Arquitetura está ligada ao Espaço, que influencia na percepção da mesma, e como ambos estão ligados aos sentidos, que são determinantes na apreensão dos ambientes e na forma como respondemos aos estímulos de determinados lugares/sensações, definidas pela nossa condição de seres sociais e culturais.





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Uma mesma cidade pode trazer percepções diferentes dependendo da maneira como é observada. Quando se tem uma perspectiva do alto, fora do caos urbano, do vai e vem de pessoas, se transforma em voyeur. Quando se eleva, o mundo pelo qual antes estava “possuído” muda diante de si. Embaixo, vivem os praticantes ordinários da cidade. Caminhantes que obedecem aos cheios e vazios do tecido urbano cegamente. Sem uma leitura dele, diferentemente do voyeur. Na cidade de Roma, cidade antiga, baixa, temos uma visão diferente e melhor que em Nova Iorque, que não sabe envelhecer. Nova Iorque se reinventa sempre, desafia o futuro, com prédios altos e tráfego enorme de pessoas. Em cada cidade planejada, existem cidades metafóricas, arquitetadas por cada homem ordinário, por cada caminhante.

Os percursos diários de um arquiteto, como observador, podem ser usados para inspira-lo em seus projetos ao passo que trazem para ele diferentes perspectivas do espaço e do lugar. Do alto, ele descreve a cidade a partir de lugares distintos: a arquitetura, o tráfego de pessoas, as aglomerações. É a cidade-panorama, pronta para ser codificada, representada, textualizada. Os processos de caminhar podem se reportar em mapas urbanos de maneira a transcrever traços e trajetórias. Cada passo é um ponto que compõe o plano urbano. Diferentes culturas e modos de viver dão ao espaço leituras distintas. O arquiteto pode usar essas leituras como inspiração em seus projetos para cidades diferentes.


Atget, fotógrafo francês do surrealismo, durante o século XIX produziu imagens de uma Paris vazia, habitada apenas pelos monumentos e pelas duras linhas que deles emergiam. 




Luciano Costa, fotógrafo contemporâneo, retratou Paris de maneira diferente de Atget, uma cidade animada.


                                        


Ao que parece, Atget poderia traduzir em imagens o que seria uma cidade como Paris vista de um plano panóptico (ainda que o ângulo não seja o de cima). Já as imagens de Luciano poderiam exemplificar o registro das práticas, das intervenções no mundo, da recriação do cotidiano.


      
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Assim como nossa vida, em que, os anos tem 365 dias e cada momento desse é vivido de forma única, a história se constrói por partes, como um quebra-cabeça infinito, que aos poucos vai deixando representações, mas um todo, está sempre por vim. O olhar construtivo sobre o tempo nos faz perceber a importância tanto sobre o que ira ser levantando, como para as bases que permitem a ambição do novo.
Partindo dessa vertente para uma linha em relação ao antigo e o novo, pode-se extrair um questionamento sobre como é possível dialogar com os monumentos do passado, respeitando-os em suas singularidades, e ao mesmo tempo está conectado com o presente.

"A especificidade do monumento deve-se precisamente ao seu modo de atuação sobre a memória. Não apenas ele a trabalha e a mobiliza pela mediação da afetividade, de forma que lembre o passado fazendo-o vibrar como se fosse presente. Mas esse passado invocado, convocado, de certa forma encantado, não é um passado qualquer: ele é localizado e selecionado para fins vitais, na medida em que pode, de forma direta, contribuir para manter e preservar a identidade de uma comunidade étnica ou religiosa, nacional, tribal ou familiar."

"O monumento tem por finalidade fazer reviver um passado mergulhado no tempo"

"Arquiteturas e espaços não devem ser fixados por uma ideia de conservação intransigente, mas sim manter sua dinâmica."



Françoise em seu livro, permiti-nos um maior esclarecimento sobre a importância do monumento histórico e a dinâmica da permanência destes com os novos espaços, sendo uma relação de um pedaço do passado que se faz presente e nos remete a tantos meios, para que houvesse hoje fins, e estes mais futuramente se tornarem meios.

Dentro desta visão de equilíbrio, podemos visualizar alguns exemplos:




                                                                Museu do Louvre, Paris- FR


Pinacoteca do Estado de São Paulo, após reforma projetado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha.





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Existem diversas definições para os mais variados tipos de arquitetura. Aqui, veremos as definições de Arquitetura primitiva, vernacular e erudita, segundo Antonio Casternou.
              
A Arquitetura Primitiva é aquela que se limita somente a atender as exigências do ser humano, como abrigo e segurança. Normalmente, a pessoa que usufrui deste tipo de arquitetura é a mesma que a constrói, fazendo-a de forma a suprir suas necessidades.

Já a Arquitetura Vernacular é aquela que se limita a uma determinada região. Nesse tipo de arquitetura são utilizados materiais do próprio local onde será construída a estrutura e não há arquitetos projetando. Costuma estar ligada a cultura local e normalmente é passada de geração para geração.

E por fim, a Arquitetura Erudita que é a mais complexa dentre todas. São necessários muitos estudos para se concretizar, uma vez que ela é voltada para incitar o intelecto e sensibilidade de quem usufrui desta, através de conteúdos abstratos que tem a intenção de demostrar um ideal.



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A oficina escolha para esta questão foi a Marquina do Tempo que fala sobre o surgimento da cidade e a presença da arquitetura na era pré-histórica.

a) A temática tem um caráter importantíssimo para esta disciplina, uma vez que fala sobre o surgimento das cidades e da arquitetura. Na disciplina Teoria e Historia da Arquitetura e Urbanismo I, é visível a necessidade de estudo de como se formou a cidade na pré-história e a evolução da arquitetura ao longo do tempo para se entender o seu funcionamento desde a pré-história até os dias de hoje. 

b) A equipe apresentou de forma interativa e dinâmica, o que ajudou bastante no entendimento do assunto. O blog é bem organizado e apresenta uma temática interessante. O assunto foi bem explicado e os integrantes souberam passar a informação sem deixar a apresentação entediante. 


FONTE: 

CERTEAU, Michel de. Caminhas pela Cidade. In: ____, A invenção do cotidiano 1. Artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994, p. 169 - 182.

CHOAY , Françoise. A Alegoria do Patrimônio . São Paulo: Estação Liberdade: Editora UNESP, 2001 P. 17 A 28.

FERNANDES, Aires Manuel. O Espaço e os Sentidos. In: ____, Malha Urbana - Revista Lusófana de Urbanismo, n. 8. Portugal, 2009.

JÚNIOR. Durval M. de Albuquerque. O Espaço em Cinco Sentidos. In: ____, Nos Destinos de Fronteira. Recife: Bagaço, 2008, p. 97 - 124.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Um novo olhar sobre o Oriente construído



           URBANISMO E ARQUITETURA CHINESA

       Após a unificação do império no século III A.C., é codificada na China a tradição cultural formada no I milênio: os eixos de simetria ligam a cidade aos pontos cardeais e os muros são defesas aos inimigos e dão forma regular.

 A cidade chinesa era estritamente ligada ao território agrícola e começa como cidade-refúgio. Esta era destinada à residência estável da classe dirigente (sacerdotes, guerreiros e técnicos). A cidade deve ter dois cinturões de muros, um interno (a cidade habitada) e um externo (espaço vazio de hortas e pomares). Elas se distinguem pelo tamanho em três categorias: tscheng, ji e tu. A unidade de medida é o li que corresponde a 530 metros.

As duas séries de cidades de dimensões normalizadas.

Na cidade tscheng menor, o cinturão interno tem perímetro de 1 li e o externo de 3 li. Ela pode se tornar núcleo de uma cidade tscheng maior, que possui cinturão interno de 3 li e externo de 7 li. Esta pode formar o núcleo de uma cidade ji, com cinturão interno de 7 li e externo de 11 li. E esta última pode formar o núcleo de uma cidade tu, com cinturão de interno de 11 li e externo de 14 li.

As capitais imperiais maiores, Chang-an, Hang-Chu e Pequim, alcançaram e, talvez, superaram um milhão de habitantes.



Planta de Pequim, capital dos Yuan.

Planta de Hang-Chu, capital dos Sung.


Planta de Chang-an, capital dos Tang.
 Agora vamos falar um pouco sobre a arquitetura tradicional na China, antes da introdução dos métodos de construção ocidentais.
  
               
      As casas chinesas seguem regras de construção para a projeção que são fixas desde o período Han - período em que a sociedade chinesa constituiu a estrutura mais duradoura de sua existência, encontrando seu apogeu, no período clássico- até os tempos recentes. As casas tinham uma orientação e acessibilidade, habitualmente, pelo sul, semelhante à orientação da cidade, as portas de entrada e algumas janelas altas se abrem para ruas de larguras moderadas.


O pátio interno de uma casa chinesa (Pequim)

"Todas os ambientes se abrem sobre um ou mais pátios internos, quadrados ou retangulares, de modo a realizar a desejada alternância de sombra e de sol(yin e yang). Os elementos construtivos principais e fixos são os perimetrais(a plataforma de base, os muros externos e a cobertura de madeira); as divisórias internas de tijolos não tem funções sustentatória e são, portanto, móveis, para acompanhar as mudanças das funções domésticas. Todos os edifícios têm habitualmente um só pavimento, sendo a densidade de população nas cidades chinesas bastante baixa: não mais de 100 habitantes por hectare" (BENEVOLO, L. A História da Cidade, 4.ed, São Paulo: Perspectiva, 2009. 60p)

Planta e secções de uma casa chinesa com pátios


A tradicional arquitetura chinesa cumpre os princípios de equilíbrio e simetria. A estrutura principal é o eixo e as estruturas secundárias são posicionadas como duas asas em cada lado para formar os dormitórios principais e o pátio. Residências, edifícios oficiais, templos e palácios seguem estes mesmos princípios básicos. A distribuição do espaço interior reflete os valores sociais e éticos chineses. 

        Apesar dos ambientes individuais ou grupos de ambientes conversarem uma forma simétrica e regular, o conjunto se torna irregular para aderir as características dos locais  mostrando como a casa chinesa pode interpenetrar com a natureza.  Como exemplo disso, podemos citar os palácios do imperador - suprema autoridade religiosa e civil- em que os edifícios destinados a cerimônias públicas são rigidamente agrupados ao redor do eixo de simetria(norte -> sul); já os edifícios e espaços para vida privadas , apresentam-se incorporados ao jardim paisagístico, que provoca uma quebra da regra geométrica e, consequentemente, um desequilíbrio a composição geral. 


O templo do Céu em Pequim

Outro ponto característico das casas chinesas é a armação estrutural de madeira com pilares, vigas e paredes de terra que cercam a construção em três lados.  As consequências desse uso da madeira são: uma profundidade e largura do espaço interior que são determinadas pela armação estrutural de madeira;  preservação da estrutura devido a técnica de aplicar vernizes à ela; e a técnica de construir uma estrutura sobre uma plataforma para prevenir danos devido à umidade. A altura da plataforma corresponde à importância da construção.

Finalizando, com uma sequencia da Cidade Proibida de Pequim, realizada pelas últimas dinastias (Ming e Manchu), seguindo as regras de projeção antigas:

Cidade Proibida de Pequim


    



URBANISMO E ARQUITETURA JAPONESA



          A arquitetura e urbanismo no Japão possuem uma enorme diferença se comparadas com os padrões utilizados pelas civilizações ocidentais.




No fim do século III a.c o urbanismo japonês recebeu grande influencia da China, com seus padrões ortogonais, que podem ainda hoje ser vistas em cidades como Kyoto e Nara, confundidos com a grande urbanização que se deu posteriormente de forma diferente da primordialmente utilizada. Porém, com uma cultura e crenças diferentes, além da topografia, o Japão acabou por criar seu próprio conceito urbanístico: lá, primordialmente, as cidades tem como principio o Ku, ou Vazio, o Ma, ou Intervalo e o Oku, ou profundidade.




O Ku é a ideia de vazio que é valorizada pela cultura nipônica. Na era medieval foi quando a ideia de vazio foi mais implantada através da religião budista que foi introduzida no país. Para eles, tudo o que era concreto demais deveria ser rejeitado, como por exemplo, moveis demais em um cômodo, plantas e pedras demais em um jardim. O centro de Tokyo, por exemplo, é um bosque, mesmo nos dias atuais, que quebra a ideia da necessidade de um centro com todas as representações da cultura e poder como igrejas, bancos, prefeituras.
O Oku é a ideia de profundidade que interage intimamente com o Ku, envolvendo-o e dando a ideia de ocultação, proteção. Baseado na ideia dos santuários, ou okumiya, que davam a ideia de um lugar que existia, mas não era visível, o uso do Oku no urbanismo japonês resulta no atual tecido urbano da maioria das cidades japonesas, onde não existem linhas retas que resultam no centro da cidade, mas sim um emaranhado de ruas que ocultam e envolvem o centro, dando a ideia do invisível.


           
O Ma, ou intervalo, é um conceito espacial que tem como característica a imaterialidade. Nas plantas de prédios no Japão medieval, as colunas eram representadas por pontos e não haviam cortes ou fachadas desenhadas. De acordo com a planta era possível visualizar todo o prédio tridimensionalmente. O espaço entre os pontos era o Ma, que sugeria um espaço que mesmo invisível, era considerado.

Outra peculiaridade do urbanismo nipônico é que as ruas não possuem nomes, mas os quarteirões sim. Além disso, a numeração das casas é estabelecida de acordo com a idade da construção. Por exemplo, a primeira construção a ser feita em determinado quarteirão é a de numero um, e assim por diante.

Aí embaixo temos um vídeo explicativo do sistema de ruas/blocos no japão:


Bibliografia: http://www.favpropaganda.com.br/favblog/post/Entenda-como-funcionam-as-ruas-no-Japao.aspx
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEglUdKWQSr58UtMPVeWNsfZnVmhIFCD0VkfEKAp44Empa6w5wWQyvGQHgHrNaQdMqyMbCyzKsfRt5FoE4iyTre7i2134i0bfN7gkiYLeb5lKWVSCvtpxPODh1ul9Tn9r6nxCxwR6nyUX4UW/s400/kyoto_city_map.gif
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/09.099/119
http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/japao/sociedade-do-japao.php





A arquitetura japonesa foi muito influenciada pela China, com a adoção da madeiracomo principal material de construção e da colunacomo elemento primordial da estrutura. No essencial, a arquitetura japonesa pouco se alterou através dos séculos e tem sido preservada porque algumas construções religiosas foram periodicamente reconstruídas exatamente da mesma forma, por razões rituais. Atingiu-se total domínio da carpintaria; muito da beleza das construções japonesas depende tanto das sutis curvaturas dos telhadoscomo de outros tratamentos decorativos, inclusive a pintura dos pilarese vigase o uso de douração. 



Templo Horyu-ji


O Horyu-ji Hall construído na segunda metade do século VII, é a estrutura de madeira mais antiga do mundo. Além de ser um representante da arquitetura antiga japonesa, é também de vital importância para a história da arquitetura do leste da Ásia. 




                                                                                                                          


 O ponto alto da arquitetura budista no Japão foi atingido com a construção do mosteiro de Todai-ji, cidade de Nara, Japão. O hall onde se encontra a estátua do Buda é tido como a maior construção em madeira do mundo. O templo onde se encontra o Buda foi finalizado no ano de 745 e o Buda foi finalizado em 751. Cerca de 2.180.000 pessoas (metade da população do Japão na época) trabalharam na construção do templo e do Buda, que  consumiu toda a produção de bronze do Japão, quase levando o país à falência. O templo já foi reconstruído por inteiro duas vezes, depois de incêndios. Só a altura do Buda é de 15m e pesa 500 toneladas.

Estátua Buda

Templo Todai-ji

                                 
   


Templo Nageire-do

         O método no qual os construtores usam colunas de dimensões variadas como suporte para o piso de um edifício sobre um penhasco ou ao lado de uma montanha é conhecido como kake-zukuri. Esse método foi desenvolvido para permitir que os devotos pudessem adorar em locais altos e íngremes, onde se acredita que seja o lar das  divindades do xintoísmo ou do Buda. Exemplos famosos do estilo kake-zukuri incluem o Templo Nageire-do em  Mitoku-san Sanbutsu







A arquitetura doméstica japonesa é notável pela sua simplicidade e refinamento. Painéis corrediços de madeira ou de papel de arroz subdividem as áreas internas em séries de espaços arejados. Algumas vezes um local da casa é separado para a cerimônia do chá, associada à contemplação e ao cultivo das artes,  mas as casas-de-chá são geralmente pavilhões especiais localizados nos jardins. A relação entre a casa e o jardim é tradicionalmente muito importante para os japoneses, sendo a varanda um espaço de transição. 




Castelo Himeji

Os palácios eram modestos se comparados aos padrões ocidentais ou chineses, mas após a chegada das armas de fogoeuropeias, no século XVI, construíram-se vários castelos amplos e imponentes sobre maciças fundações de pedra, que dispunham de torres centrais que serviam de depósitos. O castelo de Himeji é o mais notável. 

















INFLUÊNCIA INDIANA



          A arquitetura indiana, assim como a arte nativa, de modo geral, sempre sofreu influência religiosa. Basicamente toda a sua produção está inserida no contexto das necessidades ideológicas, estéticas e de rituais do povo hindu.
            A partir do século V, ocorreu o ocaso do budismo, com a ascensão do hinduísmo e do jainismo. O estilo inerente a estas religiões se misturaram para dar lugar aos motivos elaborados que constituem a marca da arquitetura indiana. A visão hindu-jaino-budista do mundo, aplicado à arte, divide o universo da experiência estética em três elementos distintos, ainda que relacionados entre si: os sentidos, as emoções e o espírito. Estes elementos ditam as normas para a arquitetura, como instrumento para fechar e transformar os espaços. No lugar de representar a dicotomia entre a carne e o espírito, a arte hindu, por meio da sensualidade e da voluptuosidade deliberadas, funde ambas, através de um complexo simbolismo.
         A arte indiana manifestada na arquitetura, na escultura, na pintura, na joalheria, na cerâmica, nos metais e nos tecidos estendeu-se por todo o Oriente e exerceu uma grande influência sobre as artes da China, do Japão, da Birmânia, da Tailândia, do Camboja e de Java. São deste período os templos edificados seguindo o esoterismo das mandalas.


Um mandala indiano que combina um único desenho, o quadrado (o “palácio”) e o círculo (o ambiente cósmico). O palácio tem quatro portas que olham para os quatro pontos cardeais.




           A época clássica primitiva começou no ano 250 a.C., durante o reinado de Asoka, que emprestou ao budismo o patrocínio imperial. Muito comuns nessa época são as stupas (pequenos templos para guardar as relíquias dedicadas a Buda) e os chaityas (templos rupestres), entre os quais destacam-se a Grande Stupa de Sanchi, iniciada pelo imperador Asoka e ampliada em épocas posteriores, e o Chaitya de Karli, do início do século II. 





         O budismo e o hinduísmo, com suas ramificações, predominaram na Índia até que o islamismo tomou força entre os séculos XIII e XVIII.
         A arquitetura islâmica da Índia vem desde o século XIII até os nossos dias. A ela pertencem o famoso mausoléu de Gol Gundadh (1660), em Bijapur, estado de Mysore; a torre Qutb Minar (século XII), com cinco andares de pedra e mármore, em Delhi, capital; e a mesquita de Jama Masjid (1423), em Ahmadabad.   








          A fase mongol do estilo indo-islâmico, entre os séculos XVI e XVIII, fomentou o uso de materiais luxuosos, como o mármore. O exemplo culminante desse estilo é o mausoléu do Taj Mahal, em Agra.







         Desde o século XVIII, a construção de grandes edifícios na Índia tem mantido as formas históricas próprias ou se submetido aos modelos europeus introduzidos pelos britânicos.